Inevitável

2hb700w7

Era um sábado de manhã. As aulas mal haviam começado e o movimento no parque estava frenético.  Os grupinhos se formavam – nada fora do comum – e o som dos pássaros era abafado pelas risadas nas rodas de violão.

Você chegou meio deslocada, sozinha, desacompanhada de qualquer amiga ou namorado. Com um livro em baixo do braço e um sorriso tímido no rosto, acenou para algumas pessoas atrás de mim e procurou um grupinho para se enturmar.

Novata. Devia ser.

Seus olhos pareciam distantes, ansiosos por conhecer alguém novo. E foi nessa procura desesperada que nossos olhares se encontraram. Você baixou a cabeça sorrindo quando percebeu e fingiu me ignorar, mas continuava espiando pelo canto dos olhos.

Meu coração batia rápido. E por mais que eu tentasse parecer relaxado, você sorria de novo para me deixar mais nervoso. Inevitável.

Nunca achei que iria sentir alguma coisa por uma pessoa como você, que é tão diferente de mim, mas ao mesmo tempo, tão igual.

(Esse texto foi escrito por mim e faz parte de um novo projeto que estou fazendo com a Lara Frota do blog Menina de Muitos Vícios! Toda semana é um tema diferente e cada uma tem que escrever um texto representando um lado: o da garota e o do garoto. Para ler o lado feminino, clique aqui! ♥ )

Resenha: Nada é para sempre, por Ali Cronin

Editora: Seguinte  estrela3

ISBN: 978-85-65765-05-3

NADA__PARA_SEMPRE_1352923425P

Ano de Lançamento: 2012

Número de páginas: 271

Cass é a namorada fiel. Ashley não leva nada a sério. Donna é festeira. Ollie é mulherengo. Jack é esportista. Rich talvez seja gay. Mas e Sarah? Os amigos sempre tiram sarro dela por ser certinha demais, mas ela só está esperando pelo cara certo e agora tem certeza de que o encontrou. Será que ele sente a mesma coisa? Ou tudo não passa de uma paixão de verão? Acompanhe o emocionante último ano de escola de quatro garotas e três garotos de dezoito anos.

Nada É Para Sempre – Garota ❤ Garoto – Livro 01 – Ali Cronin

“Nada é Para Sempre” é o primeiro volume de seis que estão sendo lançados pela editora Seguinte! Comprei o livro quando fui à Livraria Cultura no dia do evento do Lemony Snicket, mas só consegui começar a ler semana passada.

De maneira geral, gostei. Não é a história mais original do mundo, mas a autora consegue transformar algo que eu considerava meio clichê em uma leitura rápida e que faz com o que o leitor sofra junto com os personagens. Bom, pelo menos eu sofri.

Tudo começa com uma paixão de verão entre Sarah, a garota adolescente, certinha e careta, e Joe, o garoto mais velho, universitário e que bebe cerveja. Tudo estava indo surpreendente bem, quando infelizmente as férias acabam e eles são obrigados a se deparar com a realidade e um relacionamento à distância.

” Não que eu tivesse problemas de autoestima. Não passava horas diante do espelho detestando meu corpo; não usava maquiagem demais; tinha planos. Queria ser escritora quando crescesse, e tinha todas as intenções de conseguir. Tipo, eu já podia ver meu futuro em uma noite de autógrafos em qualquer livraria. Mas me imaginar fazendo sexo? Muito menos plausível. Vai entender. “

Sarah se comporta como qualquer garota apaixonada, o que às vezes se torna completamente cansativo e enjoativo. Sua personalidade inocente e orgulhosa começou a me irritar na metade do livro, quando eu já não aguentava mais ela só falando sobre Joe, o grande amor da sua vida.

Acho que a melhor característica na escrita da autora é que a história flui, e ela consegue detalhar os personagens como ninguém! Como são vários personagens, as vezes me confundia com os nomes, mas sempre lembrava quem era quem pelas atitudes que eles tomavam. Nunca havia lido um livro assim, adorei a experiência.

A narrativa é viciante no começo, mas do meio pro fim me desanimei e demorei mais do que o comum para terminar um livro com essa quantidade de páginas. Acho que autora meio que se perdeu na história, contando fatos que não influenciaram nada no desfecho e que estavam ali simplesmente para encher linguiça.

Também achei o final meio desapontante, meio previsível. Não foi aquele tipo de livro que te faz roer as unhas de ansiedade pelo próximo sabe? Na verdade, a única coisa que eu conseguia pensar depois que terminei foi: Como ela vai continuar essa história? Prevejo triângulos amorosos e briguinhas bestas, mas mesmo assim estou animada com o segundo livro. Quero ver se eu não gostei de história ou se simplesmente não me identifiquei com a maneira que a autora escreve.

É um livro rápido, com muitas cenas engraçadas, mas que infelizmente não me agradou tanto o quanto eu esperava.

Entre aspas: Expectativa X Realidade

kiss-baby

EXPECTATIVA:

Ele chega, com aquela blusa da banda favorita dele, e vai direto falar com os amigos. Percorre a festa com os olhos, tentando sentir o clima do lugar, e acena pra garota que vive dando mole pra ele. Pega uma bebida e toma devagar, a noite acabou de começar. Depois o celular dele toca, provavelmente ele está sendo convidado para outra festa, e ele demora na ligação e solta risinhos de vez em quando (eliminando qualquer opção de alguém que não seja importante, e de que você não está morrendo de ciúmes). Aí, ele desliga e vê um de seus amigos perto de onde você está. E lá vem ele, desfilando, e fala, com o amigo dele, claro. E depois, te percebe. “Ah, oi! E aí?”. E o jeito nada especial que ele te trata, não te afeta, e você acha que ele devia arrumar esse cabelo bagunçado de uma vez por todas, e lembra que não sonha mais todos os dias com o rosto garoto-virando-homem dele. E ele puxa assunto. E pronto, ele já está começando a ver, você é muito pra ser só amiga dele. Finalmente. E ele já está na sua, muito na sua, e opa, ele está.. chegando, perto, demais. E, e, e… vocês já estão se beijando. E você começa a perceber que ele está se afastando, e uau, já está com o celular em uma das mãos enquanto diz “Eu já volto, ok”.

REALIDADE:

Ele entra na festa, com sua blusa xadrez favorita, a que você disse pra ele que era a sua favorita. E ele parece estar procurando alguém, e pega o celular, e continua olhando, como se precisasse tratar um assunto urgente. E alguma coisa tira sua atenção dele, tem algo te incomodando. O seu celular. Antes que dê tempo de você pegá-lo, ele te acha. Como se essa do celular fosse proposital, ele queria que a cena acontecesse, e ele interpretou direitinho. E sorri. E você só consegue pensar “Por que ele faz isso comigo, meu Deus?” E até ele vir até você, seu coração já deu uma passeada na área externa da festa e voltou. E o cabelo dele está bagunçado, como de costume, e você ri, boba, imaginando como alguém pode ficar tão mais bonito assim? E ele já chega dispensando as bebidas, antes que você possa falar alguma coisa. E diz que precisa fazer uma coisa antes de dizer que você está linda. Segura seu rosto com as mãos e com um jeitinho de “deixa eu cuidar de você”, te beija. E depois de tirá-las do seu rosto, ele fala alguma coisa pra você. Sem sucesso. Você não entende. E lá vai ele, pegar o celular no bolso e… Pera aí, o seu tá vibrando. Uma mensagem recebida. “Eu disse: Vamos sair daqui?”.

Por que a realidade não pode ser melhor do que os seus sonhos? Ela é sempre uma surpresa. E existe.

Texto escrito por Rebeca Aragão. Vi esse texto no blog Depois dos Quinze e simplesmente tive que postar. Parabéns para a autora. ♥