Inevitável

2hb700w7

Era um sábado de manhã. As aulas mal haviam começado e o movimento no parque estava frenético.  Os grupinhos se formavam – nada fora do comum – e o som dos pássaros era abafado pelas risadas nas rodas de violão.

Você chegou meio deslocada, sozinha, desacompanhada de qualquer amiga ou namorado. Com um livro em baixo do braço e um sorriso tímido no rosto, acenou para algumas pessoas atrás de mim e procurou um grupinho para se enturmar.

Novata. Devia ser.

Seus olhos pareciam distantes, ansiosos por conhecer alguém novo. E foi nessa procura desesperada que nossos olhares se encontraram. Você baixou a cabeça sorrindo quando percebeu e fingiu me ignorar, mas continuava espiando pelo canto dos olhos.

Meu coração batia rápido. E por mais que eu tentasse parecer relaxado, você sorria de novo para me deixar mais nervoso. Inevitável.

Nunca achei que iria sentir alguma coisa por uma pessoa como você, que é tão diferente de mim, mas ao mesmo tempo, tão igual.

(Esse texto foi escrito por mim e faz parte de um novo projeto que estou fazendo com a Lara Frota do blog Menina de Muitos Vícios! Toda semana é um tema diferente e cada uma tem que escrever um texto representando um lado: o da garota e o do garoto. Para ler o lado feminino, clique aqui! ♥ )

Anúncios

Entre Aspas: Enquanto valer a pena

foto-casal

Conheço uma garota que conheceu um cara. Eles se tornaram amigos há algum tempo. Ótimos amigos, aliás. Saiam para beber de vez em quando. Encontravam-se no metrô sem querer. Conversavam sobre tudo, de um jeito que ninguém mais entendia. E as pessoas gostavam de tentar fazer isso o tempo todo.

Ele, um louco. Ela, uma apaixonada por loucos.

Essa tal garota falava, escrevia e tatuava tudo o que bem entendia. E o que não entendia também. Dragões. Rosas. Flores. Corações. O infinito. Buscava resposta nas páginas dos livros. Diziam que ela estava perdida no labirinto que criou antes de dormir. Draminha. Mas eu, que me identifico com na maioria das vezes, chamo isso de sentir e assumir sem ter uma gotinha de medo. Queria ser um pouco assim. Você também.

O garoto, pelo que me contaram, ainda não sabia lidar com um monte de coisas. O passado. Havia uma lista abandonada na segunda gaveta do armário. Última página do bloquinho. Poucos nomes, uma ordem.

Em uma noite qualquer, vulneráveis como sempre, eles se beijaram. Uma. Duas. Três vezes. Parecia tão simples. Coisa de centímetros. Entre as cadeiras. Depois, entre os lábios. Ele não tinha muita certeza. Ela nem se importava.

Agora as coisas entre eles estão meio bagunçadas. Indiretas coladas na parede da sala. Ele apagou a luz. Esta ali, mas não quer ver. Acho que não quer machucá-la. Não quer perder a amiga, mas também não quer ver a amiga sofrer para sempre. É a vítima e o culpado ao mesmo tempo.

Quanto tempo de espera? Ela quis saber.

Como ele não diz, digo eu: Não existe resposta. Existe pôr-do-sol. Um depois do outro.

Gosto da garota e admiro o garoto. Quero que eles sejam felizes. Como amigos, como amantes, como almas que se entendem. Dia sim, dia não. Enquanto valer a pena.

(Encontrei esse texto no blog Depois dos Quinze e quem escreveu foi a Bruna Vieira. Gostei tanto que simplesmente tive que postar. <3)

Entre aspas: O meu jeito de dizer que te amo

90530002
Grita baixo que é pra felicidade não fugir pela janela. E corre para os meus braços, só pra eu lembrar a todo instante que você é todinho meu. Eu preciso sentir de novo que aqui é o meu lugar. Que você é o meu paraíso perfeito.

Eu não quero parecer uma dessas loucas apaixonadas, mas eu olho para você e um sorriso instantâneo abre em meu rosto. Ah, se você soubesse o barulho que você faz aqui dentro. Eu, sempre tão controladora, não sei para que lado ir quando você aparece e deixa tudo do seu jeito. Quando dou por mim, a loucura já chegou e se instalou por aqui. Fico boba, doida, louca. De um jeito que só você sabe fazer.

Você é tudo que eu nunca soube que amaria. Mais um desses caras normais que eu jurava que não me encantavam. Até que um dia você resolveu abrir esse sorriso e minhas certezas foram para o espaço. E o meu espaço, você invadiu, e roubou, sem pedir permissão, toda a minha calma, a minha alma e o meu coração.

Eu tenho medo de dizer que eu te amo muitas vezes e as palavras fugirem de mim. Eu tenho receio de falar demais e alguém capturar o sentimento que é só meu. Tenho pavor que alguém apareça pra te roubar pra longe. E que um dia você aceite me deixar por aqui. E, por isso, eu não queria te amar. Eu não queria sorrir como boba quando você fala um bom dia qualquer. Não queria essa tremedeira quando você cruza aquela porta. Nem queria perder o controle no primeiro riso torto que você solta pra mim.

Mas não faz assim. Não me olha com essa cara de cachorro sem dono, porque dona você tem. Eu sei que disse que não queria me apaixonar, mas nós já passamos dessa fase. Chega aqui, pega o seu lugar, se instala do jeito que quiser. Eu não vou te impedir de me ter, não vou fugir, nem vou ter medo de dizer, nem que seja bem baixinho: “ei, eu amo você”.

Texto escrito por Karine Rosa. Ela é dona do blog KarineRosa e simplesmente tive que postar. Parabéns para a autora. ♥

Entre aspas: A hora certa de me apaixonar

texto-amor-adolescenteVocê me aconteceu em uma quinta-feira cinzenta, movimentada e corrida. Nada parecido com as comédias românticas que eu costumava assistir. E foi me conquistando aos pouquinhos. Primeiro, com seus gostos tão parecidos com os meus. Depois, com seu jeito carinhoso de me mostrar seu ponto de vista. E, por último, para me ganhar de vez, usou toda a sua capacidade de provar para o mundo a força da palavra amizade.

Com você eu não achei que era amor. Eu já tinha achado que era amor outras vezes, estava tentando evitar a palavra. Achei, uma vez, que era amor em um sorriso galanteador, desses que você esbarra e perde o ar. Olhei para o dono do sorriso e pensei: tô pronta. Óbvio que eu não estava pronta. Mas eu achei, como sempre, sempre acho. Achei que o amor ia aparecer naquele sorriso, que eu ia ser feliz como nos contos de fadas, coisa e tal. Não ia. A graça do sorriso passou no primeiro beijo.

Depois foram uns olhos azuis que achei que iam me ganhar. Tão bonitos, desses que parecem com o oceano. Achei que eram eles. E eles me olharam. E eu pensei: é agora! De novo, eu achei. Que tinha aparecido, finalmente. O tal cara da minha vida, que sempre falavam. O tal do cara certo, aquele que ia mudar tudo por aqui. Mas não era. Não era o cara, nem a hora.

Você não. Você apareceu enquanto eu não estava olhando. Apareceu enquanto eu estava concentrada em ler um livro, cortar o cabelo, fazer um novo curso, conhecer um novo bar, assistir a um novo filme. Você me apareceu enquanto eu olhava para todos os outros lados, sem, na verdade, procurar nada. E, de relance, distraída e despretensiosa, acabei achando: você.

Você e o seu sorriso sem grande coisa. Você e seus olhos castanhos. Você e sua normalidade. Você e sua loucura. Você e sua mania de ser lindo ao não ser o cara mais bonito do mundo. Você e suas palavras sinceras. Você e seu jeito admirável de ser fiel, leal, justo, inteligente e humilde. Você e suas frases de apoio, sua força, seus risos e sorrisos. Você e seus defeitos, suas falhas, suas faltas, seus buracos e suas ausências. Você e a lição de que não há por que esperar que seja a hora de viver um grande amor. Porque, depois que você surgiu, eu aprendi que o amor de verdade é mil vezes maior do que eu podia imaginar. E aparece sem aviso, sem hora marcada, sem perguntar “tá preparada?”. Acho, sei lá, que o amor de verdade é um tapa na cara que te acorda pra vida. Tipo você. Que, sem que eu percebesse, me ensinou o que era o amor.

Texto escrito por Karine Rosa. Ela é dona do blog KarineRosa e simplesmente tive que postar. Parabéns para a autora. ♥

Entre aspas: Eu vou precisar de você mais do que você precisa de mim

tumblr_mfb7ba5R861qkbmago1_500_large
Então você passou por mim, esbarrando delicadamente sobre meu ombro, porém me fazendo tremer o bastante para derrubar o estojo em cima dos livros. Você o pega, devolve ao seu local de origem e sorrir para mim com os olhos mais lindos do mundo que me impediram de perceber qualquer mínimo detalhe sobre a sua blusa branca e a sua calça jeans rasgada. Meu coração começa a brincar de ping-pong com o meu peito e a minha respiração é semelhante a 5 minutos debaixo d’água sem oxigênio.
1… 2… 3… Eu consigo pensar em algo pra te responder, nada muito inteligente, mas é o máximo que eu consegui fazer. Então você me dar as costas e eu posso perceber todos os detalhes que eu não via antes como os ombros largos, a camisa branca roçando em seu braço não tão grande. Calça jeans masculina tem a péssima função de esconder o bagageiro, mas a sua não fazia um bom trabalho, você dobrou a esquina e eu te perdi de vista.
Pude perceber que aquilo não deve ter levado mais do que 3 minutos pra você, mas para mim foram os 3 minutos do jogo de basquete pouco antes do Buzzer Beat! Volto pra casa e fico pensando em como te encontrar de novo. Recebo um telefonema de um amigo da faculdade me chamando para uma pequena comemoração, dou uma desculpa de que é red days e meu humor não tá muito bom. Minha melhor amiga me liga e diz que pelo tom da minha voz eu to mentindo, 20min depois ela ta na porta da minha casa com um vestido lindo implorando pra que eu coubesse nele. 40min depois eu to na festa, começo a sentir o cheiro da bebida, meu amigo chega pra mim e pergunta se há alguma chance dele sai sem um braço caso eu fique de mal humor.
Eu estou com tédio.
Abro a bolsa, pego meu Kindle e me transfiro para uma realidade alternativa. Ren me faz rir, abaixo o e-book para limpar uma pequena lágrima do canto do olho e… Eu te vejo. De novo, seu sorriso… Seus olhos estão espremidos, suas mãos estão no abdômen, você ri como se quisesse praticar tiro ao alvo no meu coraç- Pera! Que sensação é essa?! Minha mãos soam, minha cabeça gira… Você olhou pra mim interrompendo qualquer tentativa de raciocínio. Pude perceber seus traços surpresos e suas palavras pedindo licença, você vem até mim. Recupero a minha expressão que deveria ser de deslumbrada, ergo o rosto para ver o que você tem a falar, você pede para segurar a minha mão, péssima ideia jovem rapaz! Minha mão fria e soada vai ao encontro da dele, quente e seca, ele levemente a aperta e uma sensação de segurança invade meu corpo. Curvo os meus dedos ao redor da sua mão pra indicar que eu estou ali, mesmo que a minha mãe seja tão pequena perto da tua.
Tu me pergunta se podemos dançar e eu seguro a tua mão e te levo, está escuro e as luzes da boate batem nos meus olhos, aperto novamente a sua mão com medo de cair, você responde a minha pressão passando o polegar pelas costas da minha mão. Ao chegarmos na pista eu tenho que deixar a sua mão ir, mas essa é a última coisa que eu quero. Então nos começamos a nos mover de um lado para o outro enquanto você me pergunta se já tinha me visto em algum lugar…
Texto escrito por Liz Fonteles. Ela me mostrou esse texto e disse que escreveu inspirada em um post do blog (eu até imagino qual, Ren ♥) Ela é dona do blog Aishinjite e simplesmente tive que postar. Parabéns para a autora. ♥

Entre aspas: O homem perfeito

DSCF6640
Iremos nos conhecer em uma livraria, provavelmente na Cultura. Ele estará atrás do último lançamento da série Os Instrumentos Mortais e fará uma piadinha sobre Crepúsculo quando seus olhos pousarem na capa, eu estarei no mesmo corredor e irei sorrir com o comentário. Ele vai me convidar para tomar um café. Ficaremos horas conversando e eu irei perceber como o seu cabelo castanho bagunçado cai em seu rosto de vez em quando e o movimento que ele faz com o pescoço para afastar os fios dos olhos ficará impresso na minha memória. Ele terá um sorrisinho de lado e eu acharei que o leve quebradinho em seu segundo dente é um charme. Ele será alto e terá um corpo bonito, nada de músculos muito grandes, mas o suficiente para que seus bíceps rocem quase imperceptíveis sob sua camiseta larga.
Ele terá uma beleza única, seus olhos serão tão profundos e envolventes quanto os de Patch, seu humor será ácido e sagaz como o de Jace, mas será tão real e apaixonante quanto St. Clair. Ele é brasileiro, mas sonha em conhecer o mundo inteiro, inclusive países esquecidos pelos roteiros de viagens. Ele sabe falar francês e minhas pernas irão vacilar na primeira vez que me disser “Je t’aime”.
Será inteligente e estará estudando algo ligado à informática, mas também tem paixão por livros e filmes. Iremos ao shopping todos os fins de semana, conheceremos todos os restaurantes exóticos da praça de alimentação e eu terei uma crise de riso quando ele começar a tossir com a pimenta da comida mexicana. Nosso restaurante favorito será japonês mas não abriremos mão de um hambúrguer de vez em quando. Depois, iremos ao cinema, um filme diferente por semana e não importa realmente qual vai ser por que ambos gostamos de qualquer um, pois apenas a sala de cinema já é uma atmosfera mágica para nós dois. Em um certo dia, ele me convidará para jogar boliche e ambos morreremos de rir com o quanto somos desajeitados e passaremos a competir para ver quem acerta mais a canaleta.
Ele é caseiro e não gosta de multidões e música muito alta, festas não lhe agradam então gostaremos muito de ficar em casa, juntos. O inverno passará a ser nossa estação do ano favorita. Assistiremos à muitas séries  embolados no sofá com um cobertor quentinho enquanto tomaremos chocolate quente e ele irá rir quando colocar um pouco de chantili no meu nariz. Escolheremos um livro e leremos em voz alta, revezando a cada capítulo e sua imitação de voz feminina me provocará risos. Sua voz será grave, mas doce e me trará uma sensação de paz e tranquilidade sempre que a escutar.
Será perfeito!
Mas perfeição não existe, então, percebo que não apenas o homem de meus sonhos é capaz de me fazer flutuar e me levar às nuvens. Olho em volta e vejo que o mundo real também trás possibilidades talvez não tão incríveis quanto a minha cabeça, mas reais e vívidas. Percebo que o cara da livraria pode estar na faculdade, no ônibus ou no mercado. Entendo que nada jamais será sempre como planejei mas que tudo pode ser muito melhor, ou pior. Mas, pelo menos, será real. E nesse momento eu preciso de um pouco de realidade.
Texto escrito por Amanda Inácio. Vi esse texto no blog Vinte e Poucos e simplesmente tive que postar. Parabéns para a autora. ♥